Startups•4 de noviembre, 2026

Construída em bootstrap, Getdemo lança o SaaS Copilot e mira R$ 10 milhões de ARR até o fim de 2026

Startup de Florianópolis cria agente de IA que executa tarefas em ERPs via linguagem natural, eliminando integrações complexas e milhares de cliques manuais.

Construída em bootstrap, Getdemo lança o SaaS Copilot e mira R$ 10 milhões de ARR até o fim de 2026

A Getdemo, startup sediada em Florianópolis especializada em experiência de usuários de software B2B, anunciou em 16 de outubro de 2026 o lançamento de sua terceira frente de produto: o SaaS Copilot. A ferramenta consiste em um agente de inteligência artificial desenhado para executar tarefas dentro de sistemas corporativos complexos, como ERPs e CRMs, a partir de comandos em linguagem natural. Operando em modelo bootstrap — sem aportes de fundos de venture capital —, a empresa atende atualmente uma base de mais de 400 clientes, incluindo gigantes como TOTVS, Omie e Conta Azul, e projeta alcançar R$ 10 milhões em Receita Recorrente Anual (ARR) até o fim de 2026.

Contexto e antecedentes da Getdemo

A trajetória da Getdemo começou a partir da experiência prática de seus fundadores, Matheus Weigand e Vitor Oliveira, ambos ex-funcionários da Neoway. Durante seu período na empresa anterior, Oliveira chegava a conduzir cinco ou seis demonstrações de software diariamente. Essa repetição exaustiva expôs um gargalo na comercialização e adoção de softwares B2B, motivando a criação da startup.

Os fundadores passaram aproximadamente um ano validando a tese em conversas com empresas de software antes de lançarem o primeiro produto. A evolução do portfólio da Getdemo ocorreu em três etapas cronológicas:

  1. Demos interativas: A primeira frente da empresa, focada em otimizar as vendas B2B por meio de demonstrações de produto guiadas sem necessidade de chamadas de vendas síncronas.
  2. Onboarding guiado: Uma camada voltada para o pós-venda, focada em facilitar a adoção de funcionalidades dentro dos sistemas pelos novos usuários.
  3. SaaS Copilot: O lançamento atual, que introduz execução de tarefas por inteligência artificial através de comandos de texto.

O crescimento ocorreu sem injeção de capital de risco. Matheus Weigand e Vitor Oliveira optaram por recusar fundos de venture capital que classificavam o mercado como "pequeno" ou "nicho demais". A estratégia de distribuição concentrou-se na criação de comunidades, como o SaaS BR Club, impulsionando a aquisição de clientes de forma orgânica.

Dados concretos da operação

A eficiência da operação reflete-se na tração financeira e no ganho de tempo dos usuários finais. Atualmente, a Getdemo opera com um MRR (Receita Recorrente Mensal) estimado em cerca de R$ 600 mil. A base de clientes saltou de 150 em novembro de 2024 para cerca de 350 em outubro de 2025, ultrapassando os 400 em outubro de 2026. A meta para dezembro de 2026 é atingir a marca de 500 clientes corporativos e consolidar os R$ 10 milhões de ARR.

Entre os clientes ativos que implementaram as soluções da startup, destacam-se: TOTVS, Omie, Conta Azul, Senior Sistemas, Sólides, Zenvia, nstech, Onfly e Softplan.

O impacto operacional do SaaS Copilot foi medido em um caso de uso recente dentro de uma administradora de condomínios. A empresa cliente utilizou o agente para automatizar fluxos em seu ERP, com os seguintes resultados quantitativos:

  • Tempo de processamento: Redução de 4h40 para apenas 1h06 em um lote de 156 operações (76% de economia de tempo).
  • Esforço mecânico: Eliminação de aproximadamente 4.600 cliques.
  • Tarefas específicas: O lançamento de 94 contas a pagar, que levaria cerca de 3h08 manualmente, foi finalizado em 51 minutos.
  • Processamento de PDFs: A extração e lançamento de contas a partir de documentos em PDF caiu de 3,5 minutos para 11 segundos por operação.

Aplicação prática: Como o SaaS Copilot funciona

Diferente de alternativas de mercado que dependem de desenvolvimento de APIs ou do uso de protocolos de conexão externa, como o MCP (Model Context Protocol), o SaaS Copilot da Getdemo atua nativamente através de simulação na camada de interface.

Para gestores de produto e desenvolvedores de empresas de software (ISVs), a implementação segue um fluxo prático em quatro etapas:

  1. Captura via extensão: O desenvolvedor ou gestor do produto instala a extensão da Getdemo no Google Chrome e navega pela plataforma uma única vez.
  2. Mapeamento do HTML: Durante essa navegação, a IA captura o código HTML das telas, compreendendo os fluxos, menus e campos sem precisar ler documentações técnicas.
  3. Instalação do Snippet: A empresa cliente insere um snippet (trecho de código) simples em sua plataforma. Isso embute o assistente diretamente no produto, sem exigir desenvolvimento de integrações back-end complexas.
  4. Execução em nuvem: O usuário final faz um pedido via chat (ex: "Cadastre um novo fornecedor chamado XYZ"). O agente interpreta, pede dados faltantes caso necessário e simula a navegação do usuário através de uma máquina virtual na nuvem, preenchendo os formulários e confirmando a execução.

Para os usuários finais, o impacto prático ocorre na transição do clique e do preenchimento de formulário para a interface baseada em intenção. Em vez de abrir o módulo financeiro, clicar em cadastro, procurar a aba fornecedores e preencher dez campos, o usuário apenas envia um comando de texto no WhatsApp ou no chat interno do software.

Impacto para o setor e para o mercado latino-americano

A chegada de agentes executores como o SaaS Copilot atinge dois perfis primários. Primeiro, as Empresas de Software (ISVs), que historicamente sofrem com altas taxas de churn (cancelamento) causadas pela fricção na usabilidade. A ferramenta atua como um atalho funcional que reduz a necessidade de treinamentos técnicos e a consulta a extensos manuais de usuário, frequentemente responsáveis pelo abandono de sistemas legados.

Em segundo lugar, os Usuários Finais em departamentos como financeiro, RH, saúde, logística e gestão comercial passam a ter suas rotinas mecânicas descarregadas na IA. A eliminação de milhares de cliques em rotinas de cadastro, emissão de notas e consulta de pedidos permite realocação de horas úteis para funções de maior valor estratégico.

No cenário latino-americano, onde a maturidade de integração via APIs ainda encontra barreiras técnicas e altos custos de desenvolvimento em PMEs, a abordagem da Getdemo contorna a barreira do código. Ao operar por reconhecimento de tela e simulação de cliques, a barreira técnica de automação é drasticamente reduzida.

O que ainda não se sabe

Apesar dos dados de eficiência fornecidos pela Getdemo, há duas lacunas críticas de informação no anúncio do SaaS Copilot que a empresa ainda não esclareceu publicamente:

  • Precificação e modelo de cobrança: Não foi informado o custo exato do serviço. É desconhecido se o faturamento ocorre por licença de software, cobrança por assento, ou por volume de execuções (pay-per-use) feitas pelo agente de IA.
  • Segurança e conformidade (LGPD): Não há detalhes técnicos explícitos sobre como a solução lida com a privacidade de dados sensíveis — por exemplo, quando o agente navega e processa informações financeiras confidenciais ou de saúde para preencher formulários —, nem como garante auditoria das ações autônomas do agente em caso de erros no lançamento.

O que esperar a seguir

Com o objetivo estabelecido de adicionar cerca de 100 novos clientes enterprise nos próximos 24 meses e aumentar o faturamento recorrente em mais de R$ 3 milhões anuais para atingir a meta de 2026, a Getdemo enfrentará o desafio de escalar sua infraestrutura de máquinas virtuais de forma estável. Espera-se que a empresa:

  1. Comece a detalhar publicamente casos de uso focados na segurança e auditoria (logs) das execuções do agente.
  2. Integre capacidades do SaaS Copilot nos fluxos já existentes de Onboarding Guiado, criando uma experiência contínua entre "ensinar a usar" e "fazer pelo usuário".
  3. Atraia interesse indireto de competidores de RPA (Automação Robótica de Processos), exigindo do SaaS Copilot rápida expansão para gatilhos acionados por eventos em vez de apenas texto.

Perguntas frequentes

O que o SaaS Copilot da Getdemo faz de diferente dos chatbots comuns? Em vez de apenas responder dúvidas tiradas de um manual, ele navega no sistema B2B e executa as ações em nome do usuário (como preencher notas fiscais ou cadastrar fornecedores), simulando cliques através do mapeamento HTML das telas do software.

A integração do SaaS Copilot exige reescrever o código do sistema? Não. Segundo a Getdemo, a IA aprende os fluxos através de uma extensão do Chrome durante uma navegação inicial e é implementada através da inserção de um snippet (trecho de código simples), sem demandar APIs complexas.

A Getdemo tem investimento de fundos de venture capital? Não. A empresa foi estruturada desde sua fundação em modelo bootstrap, crescendo sua base de 400 clientes e MRR de R$ 600 mil a partir do próprio fluxo de caixa e iniciativas de distribuição orgânica e de comunidade.

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